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Tribunal anula júri de tentativa de feminicídio em MG ao concluir que defesa feriu dignidade da vítima

Homem é preso no interior de MG depois de espancar a própria companheira e uma bebê O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) anulou o julgamento de um h...

Tribunal anula júri de tentativa de feminicídio em MG ao concluir que defesa feriu dignidade da vítima
Tribunal anula júri de tentativa de feminicídio em MG ao concluir que defesa feriu dignidade da vítima (Foto: Reprodução)

Homem é preso no interior de MG depois de espancar a própria companheira e uma bebê O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) anulou o julgamento de um homem acusado de tentativa de feminicídio em João Pinheiro, no Noroeste de Minas. A decisão atendeu a um recurso apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que apontou que a defesa do réu expôs a vida da vítima de forma a ferir a dignidade da mulher perante os jurados. O caso envolve crimes registrados no ano passado. O acusado Otávio Alves de Almeida foi preso na noite do dia 9 de março de 2025 após ser apontado como responsável pelas agressões contra a companheira, de 30 anos, e uma bebê de 11 meses, que era enteada dele. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp Segundo o MPMG, os advogados de defesa utilizaram, durante o julgamento, informações sobre a vida da vítima que não tinham relação com os fatos investigados e que já haviam sido proibidas pela Justiça em duas decisões anteriores. Para a Promotoria de Justiça de João Pinheiro, a estratégia teve como objetivo desviar o foco do julgamento e influenciar os jurados, expondo a vítima e atribuindo a ela responsabilidade pelos fatos. A conduta, conforme o Ministério Público, configura uma forma de revitimização e é vedada pela legislação brasileira. O TJMG acolheu o pedido e anulou o resultado do Tribunal do Júri realizado em novembro. O g1 procurou a defesa do réu, por meio do advogado Joaquim Rocha Júnior. Por meio de nota, a defesa informou que a anulação do júri ocorreu por uma questão técnica, sem relação com as provas ou com a culpabilidade do acusado. Segundo os advogados, a absolvição permanece válida até o fim dos recursos e a decisão sobre um eventual novo julgamento dependerá da análise do STJ e do STF. Leia a íntegra da nota no final da reportagem. Mãe e bebê foram socorridas em estado grave As vítimas foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhadas para unidades de saúde da região. A bebê sofreu ferimentos no rosto, lesões nos olhos e afundamento de crânio, sendo levada ao Hospital Municipal Antonio Carneiro Valadares. Já a mãe apresentou corte no rosto, inchaço nos olhos e fratura no crânio, sendo transferida para o Hospital Municipal de Patos de Minas devido à gravidade do quadro. Elas ficaram internadas em estado grave. Segundo a Polícia Militar (PM), os militares encontraram um quarto da residência com marcas de sangue, apontado como o local onde as agressões teriam ocorrido. Após buscas na região, o suspeito foi localizado escondido no pátio de uma empresa situada em frente à casa da família. Ele foi preso em flagrante e uma faca foi apreendida durante a ocorrência. Em depoimento aos policiais, Otávio afirmou que o casal havia discutido após uma crise de ciúmes e que, ao chegarem em casa, a companheira o teria ferido com uma faca. Segundo ele, os dois brigaram e acabaram esbarrando no carrinho onde a bebê estava, provocando a queda da criança. O suspeito alegou ainda que não se recordava do que ocorreu depois disso. Otávio foi denunciado pelo Ministério Público na comarca de João Pinheiro por tentativa de feminicídio e também pelas agressões contra a bebê. Segundo o órgão, durante o júri popular, houve a desclassificação do crime para crime de lesão corporal cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (violência de gênero). O réu foi condenado a 2 anos e 9 meses de reclusão em regime aberto. O MPMG então recorreu à segunda instância para anular o julgamento. LEIA TAMBÉM: Menino de 4 anos é agredido pelo padrasto, que foge após crime em Uberlândia; mãe é presa Pais de bebê que morreu após apanhar de adolescente sabiam das agressões e foram omissos, afirma Polícia Civil Criança de 9 anos é agredida pela mãe em Uberlândia Violação das regras penais Ao analisar o recurso da acusação, o TJMG concluiu que houve violação das regras do Código de Processo Penal, que proíbem a utilização, durante o Tribunal do Júri, de elementos estranhos ao processo e manifestações que atentem contra a dignidade da vítima. Na decisão, os desembargadores destacaram que a garantia da plenitude de defesa não é absoluta e não pode servir de justificativa para práticas que desrespeitem a legislação ou configurem violência institucional contra a vítima. Ainda segundo o Tribunal, a simples menção a fatos proibidos já é suficiente para comprometer a imparcialidade do julgamento, pois pode induzir preconceitos e estereótipos capazes de influenciar a decisão do Conselho de Sentença. Com isso, o TJMG anulou a sessão do júri e determinou que o caso seja submetido a um novo julgamento, que deverá ocorrer em conformidade com as garantias legais e com respeito à dignidade da vítima. A nova data deverá ser marcada em breve. A anulação do júri em João Pinheiro ocorre dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) anular decisões anteriores e determinar a retomada do caso Mariana Ferrer desde a primeira instância. Na decisão, a Corte reforçou o dever do Judiciário de evitar a revitimização e coibir práticas que atentem contra a dignidade, a honra e a integridade psicológica de vítimas durante os processos judiciais. Nota da defesa "A defesa deixa claro que o motivo de ter sido anulado o júri não foi por nenhuma questão relativa a culpabilidade do acusado ou provas dos autos, mas por uma questão meramente técnica e que, aos olhos da defesa, não se sustentará nos recursos aos tribunais superiores. O fato do júri ter sido anulado por ordem técnica não significa que a absolvição do réu foi equivocada; de fato, o acusado permanece absolvido até que se findem os recursos e que se decida se realmente será submetido a novo julgamento, já que a questão dependerá da análise do STJ e do STF. " Suspeito estava escondido em uma área de mata em frente à residência em que o crime aconteceu Reprodução/JP Agora Quarto em que o espancamento aconteceu Reprodução/JP Agora Júri popular ocorreu na comarca de João Pinheiro Cecília Pederzoli/TJMG VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

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